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Uma tarde em nosso jardim
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9
anos de Jardim das Amoras
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Pouco
a pouco príncipes e princesas vão chegando e dando vida ao nosso
castelo. A primeira criança que entra na sala olha para os lados e
diante de todo aquele espaço ainda vazio, diz
com orgulho: “Fui o primeiro a chegar!”. Depois de se sentar e
fazer o seu desenho, com grande riqueza de cores e detalhes, levanta-se e vai em busca de seu paninho preferido para se tornar uma
capa.
Outras
crianças entram e se encaminham para a mesa onde estão dispostas as
cestinhas com o giz de cera de abelha. Pegam sua folha e, com certa
ansiedade para participarem da brincadeira, desenham mais depressa e
se juntam ao cavaleiro que, com sua capa, cavalga seu cavalinho
de madeira, que já está com cordas amarradas como rédeas.
E
assim, eles prosseguem em um brincar livre, precedido por uma breve
“arrumação” dos tocos de madeira, bolinhas de lã e bichinhos que deixam
suas cestas e tomam espaço no chão. As cestas passam a ter inúmeras
funções, como guarda-chuva, berço de boneca e até casa para os
menores.
As
demais crianças vão chegando e se acomodando para desenharem e
todas, agora, dividem sua atenção entre a folha de papel e o
brincar dos colegas. Alguns conseguem se concentrar e são
envolvidos pela magia das cores que surgem em sua folha a partir da
mistura de duas outras primárias. Outros, ao terminarem de
desenharem, gostam de empilhar o giz, montando e desmontando
castelos bem altos, em um gostoso brincar com as cores.
Enquanto
isso, o lanche vai sendo preparado e algumas crianças pegam suas
cadeirinhas e ajudam a lavar a louça, outros auxiliam a enrolar as
bolinhas de pão de queijo que irão para o forno e um pequeno
grupo, no fogãozinho de madeira prepara nas panelas de brinquedo,
uma combinação de pratos: “Fiz uma sopa!”, “eu preparei
franguinho, macarrão e molho!”, “suco de melancia!”.
O
cheiro que vem do forno permeia o brincar das crianças aguçando
seu apetite. E agora é hora de arrumar!
Os
meninos correm para arrumar as cadeirinhas colocam bem depressa
todas em volta da mesa, as meninas dedicam-se em cuidar das bonecas e
arrumar a cabaninha, ajeitando o tapete e as almofadas para os seus
bebês dormirem. Todos juntos, guardam tocos, bolinhas e animais em
seus cestos. Alguns já reclamam do cansaço, mas duas ou três
duplas se formam para dobrar os paninhos lenta e cuidadosamente.
Depois de tudo pronto, carrinhos estacionados, fogãozinho em ordem
e cordas penduradas, as crianças se reúnem no meio da sala para,
com alegria, repetirem os gestos, cantarem as músicas e falarem os
versos da roda rítmica.
"Agora,
vamos até o banheiro e lavar bem as mãos à espera do grande
momento social do dia: o lanche."
Um
a um entram na sala, pegam o seu copo e sentam-se à mesa, depois
cantamos e fazemos a oração. E todos começam a comer. Primeiro vem a arvorezinha (brócolis), depois
os barquinhos de maçã, o esperado pão de queijo e por último o
suco de maracujá. E é neste momento que eles conversam de todo o
tipo de assunto, contando uns aos outros, o que comem em suas casas,
onde brincam com freqüência e o que mais gostam de fazer.
“Quem
já terminou, pode pegar o copinho e o pratinho e colocar ali na
pia!”. As crianças pedem licença e saem felizes para o parque,
onde depois de escovar os dentes, os pequenos grupinhos se dividem
para experimentar as brincadeiras.
Alguém
pergunta: “Hoje é dia de água?” e como o dia está quente e a
areia bem seca cada um tem autorização para encher um balde com água
e alegres começam a misturá-la com areia e formam rios, fazem
bolos, sopa e o que mais a imaginação lhes permitir. Algumas crianças
estão embaixo da árvore de lichias, tentando encontrar uma
vermelhinha para poderem comer, outras tentam subir em seus galhos,
com o objetivo de ir até o topo. E cuidando para não ser
atropelado por um dos velozes carros que correm pelo gramado (são
alguns meninos, com uma peneira na mão que se tornou volante).
As
crianças testam o tempo todo a sua corporalidade, pulam corda,
correm, penduram-se em galhos, andam se equilibrando em cima dos
tocos, e é muito gostoso ver seus cabelinhos voando para trás e
rostinhos corados que reluzem alegria, segurança e amizade.
Estamos
chegando ao fim de nossa tarde, hora de esvaziar a lama dos baldes e
recolher os brinquedos do parque. Todos juntos atrás do trem, sobem
a montanha de volta para o castelo, lavam as mãos, bebem água
fresquinha e sentam-se dentro da sala, nas cadeiras em roda, para se
despedir dos amigos, agradecer o dia, cantar algumas músicas e
ouvir um pequeno conto antes dos papais, mamães, vovós e vovôs
chegarem para buscá-los!
Mariana
M. Hornelas Gervasio, professora do jardim I da tarde
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