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A
pedagogia Waldorf nasceu em meio ao caos social e econômico que se
seguiu à Primeira Guerra Mundial. Após a derrubada das formas
sociais existentes, aqueles que se esforçavam em construir o futuro
da Europa buscavam orientações.
Nessas circunstâncias,
Rudolf Steiner tentou
contribuir com novas perspectivas para as primeiras tentativas de
autogestão, impulsionando no seio do movimento social de
iniciativas da cidadania, em Württemberg, Alemanha, os princípios
da “Trimembração do Organismo Social”.
Tais
princípios revalorizavam
os impulsos da Revolução Francesa, que são Liberdade, Igualdade e
Fraternidade, como diretrizes máximas das diferentes funções
sociais. Liberdade é o princípio básico que deve reger a vida
cultural-espiritual; Igualdade é o alicerce fundamental da questão
jurídico-legal e Fraternidade o sustento imprescindível para a
atividade econômica.
Surgiu,
então, a Sociedade Antroposófica, constituída por empresários
que entendiam que deveria haver uma reeducação humana para o real,
a partir do auto-conhecimento do homem e de uma nova consciência de
seu meio. E esse conhecimento de forma alguma deveria ser elitizado,
mas sim promovido para todos.
Emil
Molt, diretor da fábrica de cigarros Waldorf/Astória em Stuttgart,
Alemanha, era membro da Sociedade Antroposófica e comprometido colaborador do Movimento pela
Trimembração do Organismo Social. Em princípios de 1919, seguindo
a sugestão de Rudolf Steiner, E. Molt dispôs que se proferissem palestras para seus
empregados sobre temas sociais e educativos, com a finalidade de que
os trabalhadores da fábrica conhecessem
melhor o propósito de seu trabalho e, desse modo, conquistassem uma relação mais humana com respeito
a ele.
Como conseqüência,
surgiu entre os trabalhadores o desejo de que seus filhos recebessem
uma educação escolar mais adequada às reais necessidades do
desenvolvimento humano na modernidade.
Então, E. Molt
pediu ajuda a R. Steiner para organizar, segundo sua concepção sócio-antropológica,
uma escola para os filhos dos operários de sua fábrica.
Depois
de intenso estudo sobre pedagogia, didática e metodologia com docentes que
trabalhavam com Steiner, foi elaborada sua
proposta pedagógica e começou a funcionar, em setembro daquele
ano, a
primeira escola Waldorf, em Stuttgart, Alemanha, com 12 docentes e
256 alunos.
Essa
iniciativa foi considerada por testemunhas da época o ponto
culminante e a concretização dos princípios do Movimento para a
Trimembração Social. Como escola livre, a escola Waldorf tornava
real o impulso da autogestão; como escola para crianças de
qualquer procedência, capacidade, raça, religião, plasmava a idéia
da co-educação social.
Em
1954, os casais Schmidt, Mahle, Berkhout
e Bromberg, que se reuniam regularmente para estudar obras pedagógicas
de R. Steiner, preocupados com a idéia de qual poderia ser a
contribuição da Antroposofia para o Brasil e para um mundo melhor,
resolveram fundar nesse país uma escola Waldorf, pois a resposta evidente à
sua preocupação era que um mundo melhor pressupõe homens
melhores.
Assim,
em 27 de Fevereiro de 1956, à Rua Albuquerque Lins, bairro de
Higienópolis, em São Paulo, começava a funcionar a primeira Escola Waldorf no
Brasil, integrada à realidade brasileira e com a grande tarefa de
fundamentar seu trabalho na imagem espiritual do Homem e nos ideais
humanos inspiradores das demais escolas da Europa.
Nessa
ocasião, Karl e Ida Ulrich, professores na Escola Waldorf de Pforzheim,
Alemanha, foram convidados a ser fundadores da escola, o que lhes
significou não só lecionar, mas também preparar professores para
lecionarem a Pedagogia Waldorf.
A
Escola começou com um grupo de jardim de infância e um grupo primário,
totalizando 28 alunos. O primário logo foi reconhecido como escola
experimental e assim que foram completadas as quatro séries
iniciais, o interesse dos pais pela pedagogia levou à decisão de
se implantar o ginásio.
Graças
à generosidade dos fundadores, a escola foi transferida para uma belíssima
propriedade rodeada de bosques e jardins, no Alto da Boa Vista, em
Santo Amaro.
Em
1979, o ensino fundamental da Escola Waldorf Rudolf Steiner foi
autorizado a funcionar com duração de nove anos e a contar com o
acompanhamento do Professor de Classe do primeiro ao oitavo ano. Até então
era necessário solicitar equivalência de estudos para os alunos
que concluíam o nono ano.
Durante
os doze primeiros anos, a escola bilíngüe em português e alemão realizou-se à medida
em que a Pedagogia Waldorf foi sendo assimilada
por professores brasileiros e em que professores estrangeiros
conseguiram se ligar ao espírito do povo brasileiro.
Como
crescente interesse dos pais pela continuidade da escola, foi possível,
em 1975, a conclusão da primeira classe do segundo grau.
Antes
disso, porém, em 1970, atendendo à crescente necessidade de formação
e aprimoramento na Pedagogia Waldorf, nasceu o primeiro Seminário
de Pedagogia Waldorf no Brasil, fundado pelo
casal Rudolf e Mariane Lanz.
Hoje
o Seminário se tornou um Centro de Formação de professores que
funciona como Escola Normal, autorizado pelo Parecer CEE nº 576/97
e pela Portaria da Dirigente Regional da 17º Delegacia de Ensino da
Capital, que possibilitaram a sua instalação e funcionamento.
A
Escola Waldorf Rudolf Steiner chegou a tal crescimento que, em 1978, foi fundado
o Colégio Micael, em São Paulo, próximo
a Cotia.
A
partir daí, muitos outros movimentos aconteceram, surgindo então vários
jardins de infância e outras escolas no Estado de São Paulo e em
outros estados.
Hoje,
a Federação das Escolas Waldorf no Brasil congrega um total de 11
escolas de Ensino Fundamental, das quais duas já implantaram o
Ensino Médio, completando-se nelas o ciclo de duração de 12 anos
propostos por Rudolf Steiner. Existem
hoje cerca de 726 escolas Waldorf no mundo, distribuídas entre os
cinco continentes. |