Um ambiente de calor e aconchego. Árvores para subir,
terra para brincar, brinquedos belos e uma alimentação
saudável. Um lugar onde as crianças podem brincar,
brincar e brincar... E tudo isto acompanhado por um adulto
preparado e consciente da responsabilidade de educar.

O brincar como primeiro
experimento do mundo e
como linguagem da criança

 
Em defesa do brincar
 
Como se contam
os contos de fada

 
A importância das imagens
na formação da criança

 
Porque evitar apressar o
ensino da leitura e da escrita

 
Cultivo dos ritmos
 
Limites: base para o
desenvolvimento
saudável da criança

 
Chupar o dedo

No dia 14 de agosto de 2006 tivemos a palestra com a psicóloga Márcia Della Negra, abordando o tema:
“Limites: base para o desenvolvimento saudável da criança”.
A Dra. Márcia, com toda a sua delicadeza, sugeriu um "bate-papo" onde todos pudessem colocar suas dúvidas e idéias. Foi uma noite muito agradável e enriquecedora.
Tudo começou com duas perguntas feitas pela palestrante:

Qual é a minha dificuldade em colocar limite?
           
O que é limite?

Pais e amigos ficaram em silêncio, até que alguém se arrisca a falar e se dá continuidade:

Limite é o espaço até onde posso circundar, até onde posso ir. É barreira, mas também pode ser um desafio, posso lutar para obter e ampliar o limite.

A dificuldade em colocar limite está dentro de cada pessoa, como: discernimento de até que ponto deve por limite, ou o confronto com o outro (evitar brigas, magoar o outro, medo de não ser aceito, culpa).

É muito comum pais que ficam pouco tempo com os filhos estabelecer limite, há culpa pelo pouco tempo e sentem que devem algo.

Nas relações em casais colocar limite parece cobrança, está ligado há algo ruim. Um quer dar limite ao outro ou ao relacionamento. A personalidade de cada um pode dificultar ou não em colocar e aceitar o limite.

Lidar com limites não é fácil, é necessário que cada pessoa tenha consciência do seu limite para poder colocar limite.

Em relação a educação, é interessante pensarmos: porque temos filhos?

Os filhos trazem desafios e limites para os pais, é importante ter hora para mamar, dormir, os pais deixam de sair, etc.

Quando a criança está no útero materno ela está num espaço bem limitado, mas com todo conforto, totalmente adequado para as necessidades e condições necessárias para a fase. Então, a criança precisa de limite pertinente e adequado para cada idade.

Ao nascer o limite aumenta, ela perde todo o tipo de contenção. Assim, os pais começam a estabelecer novas contenções: colo, berço, peito.

Quando a criança com a mãe volta para casa e quer mamar toda hora, a mãe é quem estabelece os horários de acordo com a criança, é a mãe que coloca o limite.

Quando a criança chora, a mãe tem que transcender seu entendimento e tentar compreender o porquê daquele choro. São os pais que precisam ampliar seus limites para entender o que a criança está falando.

Na hora de dormir é importante colocar as crianças para relaxar antes, como por exemplo, contar uma história. A segurança transmitida pelos pais também é muito importante, como a paciência e o amor.

O limite deve começar com que idade?

Se pensarmos no limite como uma ação pedagógica, deve começar desde que o bebê é recém-nascido!

O ser humano vem para o mundo e começa a querer fazer as coisas sozinhas e o vemos desamparado, mas desde que nasce é preciso colocar o limite pois ele tem algo muito dele. Trás dentro de si uma semente que precisa ser regado para que os potenciais possam desabrochar.

É preciso ter uma ação pedagógica com os filhos e o amor é a própria expressão.

A criança escolhe os pais porque precisam desta mulher e deste homem de uma forma bastante fundamental nos seus três primeiros setênios, principalmente no primeiro setênio. Por isso tamanha responsabilidade para os pais!

No primeiro setênio a mãe é o centro nesta fase. A criança precisa de amor precisa ser acolhida, que o mundo é um bom lugar para ficar. Precisa sentir bondade e esta só pode ser transmitida quando os pais sabem o que é bom ou não para o filho.

Antes de estabelecer limites aos nossos filhos, é necessário um trabalho de auto-educação dos pais. É importante que não tenham medo de errar, a experiência também mostra o caminho. A experiência é tudo o que vivenciei ou analisei e verifiquei como verdade ou não.

Quais são os nossos desafios em cada fase da vida?

  • 0 a 7 anos: desenvolve o órgão do pensar, mas não usa este órgão. Ela está no mundo através do seu metabólico. A vontade está mergulhada no âmbito inconsciente, e esta deve estar submetida à vontade do adulto. Essa vontade não é expressão de algo consciente.

  • 21 a 28 anos: experimento o mundo e coloco-o dentro de mim. Recheio meu mundo interno com experiências ou quando experimento as respostas que o mundo dá em certas situações com pessoas próximas. Nesta fase se dá o desenvolvimento da alma da sensação.

  • 28 a 35 anos: experiência da crise. A Eva precisa acordar o Adão que há dentro das mulheres. E o Adão tem que acordar a Eva dentro dos homens (aos 12 anos houve a separação: Adão e Eva). A mulher em que se empenhar em pensar claro e ter a ação firme. O homem tem que se esforçar por se relacionar, entrar em contato com os sentimentos humanos. Pois o homem já tem uma ação mais eficiente e um pensar mais pontual. E a mulher tem o sentir mais desenvolvido.

Se não é feito esse trabalho, o homem vira um “embruxado”, ao não se relacionar com a Eva dentro dele, esta vira uma bruxa. E se a mulher não faz este trabalho, se torna aquela pessoa que não faz acontecer nada na vida, mas sabe tudo e diz o que todos deveriam fazer.

Na vida temos vários papéis. Há conflitos entre o ideal de mãe que quero ser e a mãe que de fato consigo ser. Dos 18 aos 35 anos é hora de eu saber o que quero para minha vida e o que eu queria ou deixei para trás, mas agora quero. Casa-se dentro de nós o Grego e o Romano, o Grego é a busca pela beleza, pelo significado da vida e o Romano é o pé no chão.

  • 35 aos 42anos: desenvolvemos a alma da consciência, é um repensar dos próprios pensamentos.

O que fazer quando a criança faz birra?

A birra é como se a criança entrasse em processo de expansão muito grande, é preciso contê-la, colocar no colo ou suspender a atenção até que a criança se aquiete e acalma-se.  Bater e gritar são crises de birra de adultos.

É importante que os pais não tenham medo de estar colocando traumas em seus filhos, traumas levam para direção certa na vida. A dor também é caminho de crescimento.

 

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